Na história de Palmeira dos Índios data do século XVII a fixação das comunidades indígenas “Xukurus” e “Kariris” aos pés de um imenso palmeiral. As memórias locais apontam para o elemento decisivo da chegada do frei Domingos de São José, responsável pela conversão dos ditos “gentios” em cristãos. Mais tarde a doação de terras efetuada por Maria Pereira Gonçalves e seus herdeiros ao religioso possibilitou a construção da capela consagrada ao senhor Bom Jesus da Boa Morte (Barros 2005: 361).
Na década de 1930 ocorre a inauguração da estrada de ferro e a circulação da primeira locomotiva relacionada à lenda de índios Tilixi e Tixilliá. Segundo Francisco Reinaldo Barros:
Conta-se que Tixiliá estava prometida ao cacique Etafé, mas era apaixonada por seu primo Tilixi. Um beijo proibido condenou Tilixi a morrer por inanição. Ao visitar o amado, Tixiliá foi atingida por uma flecha mortal de Etafé, morrendo ao lado de Tixili. No local, nasceu a palmeira, simbolizando o amor intenso do casal (Barros 2005: 362).
O território demarcado na lenda fez parte da freguesia de Atalaia, sendo no século XIX, em 1838, agregado a Anadia e elevada à categoria de cidade somente em 20 de agosto de 1889 (Lei 1 107). Localizada na zona sertaneja entre a mata e o sertão, que comumente é chamada de “agreste” pelos habitantes locais, Palmeira dos Índios possui um clima semi-árido e uma população composta por aproximadamente 72.202 habitantes. Geograficamente está situada 290 m de altitude, a 138 km da capital Maceió, sendo banhada pelos rios Coruripe e Traipu e tendo como municípios limítrofes: ao norte Bom Conselho (PE), ao sul Igaci, Taquarana e Belém, ao leste Quebrangulo, Paulo Jacinto de Mar Vermelho e a oeste Estrela de Alagoas e Cacimbinhas (IBGE 2008)
Desenvolveu-se economicamente sobre uma base agropecuária. Na contemporaneidade, além do comércio, ressalta-se ainda a realização de feiras que congregam cultivadores de frutos e horticultura de subsistência, hoje denominadas agricultura familiar auto-sustentável, vindos de municípios próximos como Quebrangulo.
Nesse limiar do século XXI em Palmeira dos Índios se encontram comunidades indígenas “Xukuru-Kariri”, que vivem aldeadas na Fazenda Canto, de propriedade da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e na Mata da Cafurna. Esses povos indígenas são conhecidos atualmente por “Xukurus”. Segundo moradores mais velhos da comunidade que afirmam que “eles não são “Xukurus”, mais sim, índios “Kariri” da tribo “Wákõná” e que o nome de “Xukurus” é apenas um apelido que lhes fora dado (Antunes 1973: 19).
Para alguns historiadores alagoanos eles são os Xukurus palmeirenses que vieram de Simbres, no Município de Pesqueira, Pernambuco. O nome Xukurus tem uma definição e etnológica que quer dizer “andarilho” (Antunes 1973: 19).
De acordo com os relatos dos atuais indígenas palmeirenses, uma família “Xukurus” de Simbres – Pesqueira – Pernambuco, foragida em tempos difíceis por causa da terrível seca do Sertão solicitou abrigo para os “Kariris” de Palmeira, se fixaram na Serra da Cafurna, onde, hoje se encontra o bairro chamado “Xukurus”, cujo açude da cidade recebe o mesmo nome. A partir daí, quando os “Kariris” desciam a Serra da Cafurna, da Boa Vista ou Serra da Capela, para Visitar os “Xukurus”. Com o passar dos tempos os “Xukurus” foram se tornando povos influentes e hospitaleiros aos seus vizinhos os “Kariri”.
Portanto, tornou-se muito comum dizer que “Palmeira dos Índios, Terra dos “Xukurus” quando deveriam afirmar: Palmeira dos Índios terras dos “Wákõná”, ou mesmo Terra dos “Kariris-wákõná”. Os atuais povos indígenas da região, afirmam existir uma família descendente dos “Xukuru”. De acordo com Clovis Antunes, pode se provar que o grupo remanescente pertence à tribo “wákõná” ou “wákonãn”, através do estudo da lingüística (Antunes 1973: 20).
Envoltos em processos de contestação judicial impetrado contra o município pela demarcação das terras Xukuru desde 1997, os índios Xukuru-Kariri encontram-se espalhados pela cidade e mais especificamente na Cafurna, uma área fora da cidade, localizada a aproximadamente 8 km do centro de Palmeira dos Índios. De acordo com as pesquisadoras Alexandrina Luz Conceição e Maria Ester Ferreira da Silva:
Todo o grupo Xucuru-Kariri habitava a Fazenda Canto em Palmeira dos Índios (AL). Com o surgimento de divergências internas e uma série de conflitos entre membros da família Celestino, uma parte da comunidade com 15 famílias foi transferida para a Mata da Cafurna (1985), área florestal onde se encontra o Ouricuri, local sagrado, reservado ao culto religioso, preservada ecologicamente (Conceição; Silva 2007: 143-144)
Vive o povo Xukuru-Kariri em situação de precariedade sócio-econômica relativa aos transportes e acesso aos serviços médicos e escolares do município de Palmeira dos Índios. A atividade predominante ainda é a agricultura voltada ao cultivo de mandioca, milho, feijão e verduras que constituem a base de sua alimentação, sendo a pecuária restrita à posse de um boi, vaca ou bezerro por uma ou duas famílias indígenas. O artesanato não se constitui como um vetor para seu desenvolvimento sustentável, uma vez que seus colares, pulseiras, brincos, anéis, arcos e flechas sequer são comercializados na feira que ocorre todos os sábados em Palmeira dos Índios (Conceição; Silva 2007: 143).
ENTRE XUKUS-KARIRIS E GRIOTS: EDUCAÇÃO DE POVOS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS PARA O ACESSO À UNIVERSIDADE EM ALAGOAS
(Eliane Bezerra da Silva e Janaina Cardoso de Mello )
Poucos poetas e escritors (entre eles Graciliano Ramos) souberam "cantar" os encantos desta cidade. Palmeira dos Índios tem na sua origem e na sua edificação o amor; é uma pena que o amor não seja sinônimo de progresso, mas já é muita coisa, neste mundo pouco amável.
ResponderExcluirNeste link abaixo há um artigo sobre Palmeira dos Índios à luz de Caetés, primeiro romance de Graciliano Ramos (elaborado por alunos da UFAL-Palmeira dos Índios.
http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/Raido/article/view/588